
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, protagonizou um novo capítulo na discussão jurídica envolvendo o pagamento de honorários advocatícios de sucumbência aos procuradores estaduais. Ao solicitar vista do processo, a magistrada interrompeu o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) 6.198, que questiona a constitucionalidade de uma lei estadual de Mato Grosso regulamentando tais pagamentos.
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Antes do pedido de vista da ministra, o Plenário do STF já havia recebido dois votos divergentes. O relator, ministro Nunes Marques, entendeu que a prática deve observar o teto constitucional e declarou inconstitucionais alguns benefícios. Por outro lado, o ministro Flávio Dino chegou a classificar as verbas adicionais previstas na legislação estadual como irregulares, fortalecendo o argumento de incompatibilidade com o regime de subsídios aplicável a servidores públicos.
Entendendo a ADIn 6.198
A ação, movida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), coloca em debate a destinação de valores provenientes de honorários advocatícios pagos em ações de sucumbência ao Fundo de Aperfeiçoamento dos Serviços Jurídicos da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso. A principal polêmica gira em torno da possibilidade de os procuradores estaduais receberem tais valores, o que, segundo a PGR, contraria o regime de subsídios determinado pela Constituição Federal.
Pontuou-se também que essa remuneração adicional poderia configurar uma violação ao teto remuneratório do funcionalismo público. A Constituição Federal, em seu art. 37, XI, determina que a soma de todas as remunerações recebidas por servidores deve estar limitada ao subsídio mensal dos ministros do STF.
Argumentos divergentes
Relator (Ministro Nunes Marques):
- Reconheceu a autonomia estadual em legislar sobre benefícios administrativos relacionados aos honorários de sucumbência.
- Limitou a aplicação até o teto constitucional, considerando inconstitucionais valores como incentivo para aquisição de obras jurídicas e adicional de aprimoramento jurídico, por entender que são remuneratórios.
Ministro Flávio Dino:
- Divergiu ao reforçar que tais honorários devem ser considerados remuneração e que parcelas adicionais como auxílio-transporte violam o regime de subsídios.
- Propôs maior rigidez no controle dos benefícios, ainda que reconheça a competência estadual para legislar sobre o tema.
Implicações do julgamento
A decisão a ser tomada pelo STF impactará não apenas Mato Grosso, mas possivelmente todo o país. Estados que garantem honorários advindos da sucumbência a seus procuradores poderão ter que reavaliar a constitucionalidade de suas legislações, dependendo do desfecho do julgamento.
Após o pedido de vista, ainda resta um caminho a ser percorrido no tribunal, com potencial para dividir opiniões no Plenário. A expectativa é que o debate definitivo contemple temas associados ao limite da autonomia dos estados e a observância dos princípios constitucionais, como moralidade e supremacia do interesse público.
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Redação
Redação jornalística da Elias & Cury Advogados Associados.